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2 de novembro de 2015

Porque os zumbis são os melhores



   Dia desses minha amiga me mostrou que ganhou o livro ''Zumbis x Unicórnios'' (que inclusive eu quero muito). E começou a dizer: ''acho que esses zumbis aqui são meio ridículos, tem partes caindo de seus corpos. Os unicórnios são muito melhores.''

   Senti algo dentro de mim. Sempre defendi os zumbis. Para mim, eles sempre foram as melhores criaturas do mundo. Apesar de claro; sujos, fedorentos e nojentos. Mas quem em um momento nunca foi sujo, fedorento e nojento? Por isso gosto dos zumbis: eles representam o verdadeiro jeito dos seres humanos.

   Concordo com uma coisa que a Justine Larbalestier (ela é a líder do time zumbi) disse: ''claro que há pedaços caindo do corpo dos zumbis. Também há sempre partes caindo do meu corpo! Células, lágrimas, suor, etc...''. E isso me fez pensar. Como antes dito, os zumbis representam exatamente os seres humanos. Não literalmente, quero dizer. Não somos seres mortos-vivos que caminham pela cidade em busca de carne. Quer dizer, pensando melhor agora, somos exatamente isso!

   Saindo um pouco da minha confusão, quero dizer que somos um tanto sedentos por carne. Usarei carne como uma metáfora para dinheiro, roupa, amor, comida, etc. Então estamos vivendo em um apocalipse zumbi.

   ''Então qual é seu julgamento aos unicórnios?''

   Eles nos iludem, esse é o problema. São perfeitos demais. Bonitinhos demais. Iludem a sociedade que quer ser igual eles. Mas os zumbis não. Sempre fui muito sonhadora, mas sou pé no chão quando preciso. E nesse quesito, os zumbis me ajudam a imaginar que os unicórnios querem nos iludir completamente. Querem nos fazer fugir dos nossos problemas. Pode parecer rude, mas: não podemos fugir dos problemas. Já fiz uma crônica sobre isso aqui no blog. Enfrentar os sentimentos, enfrentar os problemas.

   Nem vou entrar no quesito luta. Pois já está claro que os zumbis venceriam qualquer batalha. Eles, com seus milênios de conhecimento de habilidades em luta. Iriam, perdoem - me a indelicadeza, estraçalhar o belo corpo de cada unicórnio. O quê os cavalos com chifres iriam fazer? Usar seus chifres contra a guarda de zumbis? Ele não conseguiria, pois não tem habilidade. Os mortos-vivos iriam se divertir se deliciando do chifre do animal. Eles são treinados. Enquanto os unicórnios ficam apenas deitados glamurosamente em sua cama de veludo.

  E você aí, pessoa? De que time você tá? #TimeZumbi ou #TimeUnicórnio? Quem vai vencer essa guerra?

  (Time Zumbi, claro.)

6 de outubro de 2015

Tudo o que eu quero - Crônica

 Leia ouvindo: All I Want 

 Sentado aqui, ao pé dessa porta, segurando o celular com força e esperando você tocar a campainha. Eu poderia fazer tudo apenas para ver seu rosto sorrindo, usando o vestido que eu havia te dado, os braços abertos para me abraçar. Você não entende como vem sido difícil sem você...

 Mas você não vai aparecer. Eu sei disso, mas gosto de me iludir. Você se foi naquele dia, fechando a mala, chorando, dizendo que o problema não era eu, apenas você. Seu coração estava despedaçado e eu queria tanto, tanto, curar ele. Mas pelo jeito, não fui capaz de te segurar nos braços e dizer que tudo ia ficar bem. Apenas observei você deixando meu prédio, dizendo um adeus para o porteiro e nem olhando para trás.

 Você pode ter conhecido alguém novo. Ou seus pais proíbem o nosso amor. Eu posso ter feito algo de errado. Eu posso ser errado. Nunca vou saber qual foi o real motivo. Mas tudo o que eu quero é ter você comigo. Tudo o que eu quero é o seu amor. Tudo o que eu quero é receber mais um ''eu te amo'' no telefone de madrugada, quando nós dois já estamos bêbados de tanto conversar sobre nossos filhos. Tudo o que eu quero é mais um beijo seu na minha bochecha. Ou na boca. Tudo o que eu quero é acordar mais um dia olhando seu cabelo bagunçado, apesar de que na minha mente ele sempre parece perfeito. Tudo o que eu quero... tantas coisas, e maioria delas é impossível.

 E talvez, nos encontremos. Esperando a chamada para entrar no avião. Na fila do pão. Indo buscar nossos filhos na escola. Em um bar a noite. Tendo amigos em comum. Trabalhando no mesmo escritório. E mesmo que você não se lembre de mim, vou lembrar do seu cheiro, do seu jeito, da sua aparência, do seu gosto, e do seu amor.

17 de setembro de 2015

Enfrentar os sentimentos - Crônica


  O céu ainda estava rosa. Eu podia ver pela janela que havia encima da sua cama. Olhei para baixo e seu gato brincava com os dedos do meu pé, tentando morder, apesar de não ter dentes tão afiados. Tirei o lençol do meu corpo, e antes de levantar da cama, olhei para você. Estava tão lindo. Os olhos fechados, a boca fechada, mas a camisa quadriculada que estava metade aberta. Será que havia sido eu que havia aberto?

  Saí da cama, os pés encostando no chão frio. Era o primeiro dia do inverno. Eu estava só com a sua camisa que ficava igual um vestido em mim. Prendi meu cabelo, vesti minha calça, minha camiseta, meu casaco, minha bota, e antes de sair do seu quarto, olhei de novo para você. Tão lindo. Tão meu. E ao mesmo tempo, não era meu. Você nunca foi, e sabíamos disso. A noite anterior havia sido um erro.

  Quando saí do seu apartamento pequeno, peguei o primeiro táxi que vi pela frente. O taxista perguntou:

  - Qual seu destino, menina?

  E eu respondi:

  - Para algum lugar em que eu não me sinta sozinha. Para longe de todas as decepções desse amor que eu sabia que não iria dar certo, mas ao mesmo tempo me forcei a acreditar que ele era real. E me iludi. – Olhei bem fundo nos olhos do taxista. – Me leve para o lugar onde não há ilusões e nem desilusões, moço.

  E o taxista não perguntou de novo e não gritou para eu sair do táxi. Ele apenas assentiu e começou a dirigir. Entendia o que eu estava sentindo. Talvez já havia tido outras milhares de passageiras, com o coração machucado, pedindo para ir para algum lugar onde não se sentia sozinha. E com o tempo, ele aprendeu a não perguntar o que havia acontecido a aquelas pessoas. Os corações partidos são sempre os mais difíceis de se comunicar. 

  Enquanto o táxi andava rápido, eu olhava pela janela o dia começando. Mulheres tirando a roupa do varal. Crianças indo para a escola. Pessoas passeando com seus cachorros. Pela tevê do bar, vi o jornal da manhã começando. Tudo estava seguindo sua rotina monótona sem se preocupar que no táxi ao lado havia uma menina pedindo por socorro. Para que tirassem da sua memória todos os beijos da noite passada. Todos os abraços. O que havia começado apenas como uma visita para devolver o livro, terminou com os dois abraçados na cama. Traçando o futuro. Contando os filhos. Fazendo carinho no gato filhote. Tudo mera imaginação.

  Eu queria que tivesse dado certo, sabe? Queria realmente. Mas o meu jeito tímido, com medo de expressar meus sentimentos, me impediu de sentir seu amor. Mas nós dois erramos, querido. Adiamos nossos sentimentos, igual fizemos com o nosso amor. E isso bagunçou tudo. Bagunçou minha cabeça. Bagunçou a sua cama. Bagunçou tudo o que havíamos criado nesses últimos meses.

  O táxi parou na frente da sua casa de novo. Olhei assustada para o motorista e ele sorriu.

  - Sou velho, menina, mas já tive o coração machucado inúmeras vezes. Já tentei fugir dos meus sentimentos entrando em um táxi, mas nunca deu certo. Os sentimentos vão atrás de você e te pegam. – Ele deu um suspiro. – O único jeito de resolver tudo isso é conversando com os sentimentos. Talvez eles entendam. Talvez não. No final, tudo vai se resolver do melhor jeito. Mais enfrentar é o principal.

  Olhei para o taxista. Os olhos cansados, a roupa já amarrotada, a rádio tocando alguma música aleatória. Ele também me entendia. Ele também já havia deitado sem querer na cama de alguém, já havia errado e consertado seus erros, tudo isso em uma vida só.

  E por esse motivo, saí do táxi e enfrentei meus sentimentos.


11 de setembro de 2015

Faça o quê você ama - Crônica


  Dia desses (na verdade, ontem) foi o aniversário de reinado da Rainha Elizabeth, a rainha da Inglaterra. Mesmo eu não gostando muito dessa monarquia que ainda acontece na Inglaterra (já estamos em pleno século XXI, gente!), me interessei pela matéria e vi a entrevista que ela fez. Apesar de falar que amava o que fazia, a rainha emanava um ar cansado e exausto. Me perguntei se ela gostava mesmo de passar sua vida inteira governando um país.

  Isso meu deu a idéia para uma crônica, então imaginei como eu escreveria, coloquei alguma música bem animada e sentei aqui na frente do computador. Não que seja um assunto que eu domine, mas é um assunto sobre o qual eu já passei inúmeras vezes. E você também.

  Trabalhar com o quê gostamos é algo necessário para o desenvolvimento do trabalho. Se gosta de desenhar, vire pintor, ou ilustrador de livros. Se gosta de cantar, monte uma banda ou siga a carreira solo. Se gosta de escrever, faça um blog, escreva um livro, vire roteirista. Faça o quê goste de fazer, não o quê é obrigado a fazer. É a base de tudo.

  Vamos falar um pouco sobre a minha experiência com esse assunto.

  Desde que me entendo por gente, sempre gostei de arte. Músicas, filmes, fotografia, livros, desenhos… Qualquer coisa que envolvesse uma criatividade e algo simples, puro. Por isso, pretendo fazer faculdade de jornalismo (quero criar um jornal sobre entretenimento), fotografia, e também virar escritora. Meus pais sempre me apoiaram nisso, desde que eu disse para eles. Poucas pessoas são apoiadas pelos pais a fazer o quê sonham. Fui uma dessas sortudas.

  Conheço inúmeras pessoas que começaram faculdade de medicina, por influência dos pais, e 'nos 45 do segundo tempo' desistiram. Pois é, gente. Quando fazemos algo que não gostamos realmente, que não sentimos atração, aquilo começa a virar algo repetitivo.  Algo monótono. E logo desencanamos. Não estou apenas falando de medicina. Direito, administração, a maioria das faculdades que temos que tornar um profissional, nos faz desistir rapidamente. E não estou dizendo que só as áreas de exatas são assim. As de humanas também.

  ''E você, Helena, já quis desistir de alguma coisa?'' Já tive inúmeros blogs. Sobre moda, bonecas, fanfics, e blábláblá… E estou hoje com o ''Literaturament'' por esse motivo: desisti de todos os blogs anteriores. Não eram a minha praia, sabe? Quando começou a se tornar algo repetitivo, eu olhei para o meu reflexo no espelho e me perguntei: o quê eu estou fazendo com a minha vida?


  A minha principal dica é: faça o quê você ame. Se seus pais não respeitam, ou querem que você siga o caminho deles, converse com eles. São pais, e no fundo, terão que aceitar que sua (seu) filha (filho) vai seguir o caminho que seu coração está dizendo para ele (ela) seguir. Cante, dance, escreva, viaje pelo mundo, salve vidas, administre empresas, diga sua opinião aos cineastas, dirija filmes, atue, salte de paraquedas, grave vídeos para a internet, mas sempre, sempre, ame o quê você faz. Se não amar, melhor trocar o disco.

A única - Crônica


  Você passou mais uma vez na minha frente. O cabelo cheio de gel, carregando sua mochila verde neon, com as calças bem abaixo do que deveriam estar, o sorriso galã no rosto, e infelizmente, de mãos dadas com ela. Ela com os cabelos longos e sedosos, o sorriso igualmente encantador, carregando sua mochila roxa neon, e infelizmente, de mãos dadas com você. Mas eu continuo aqui, escondida, vendo você de longe.

  Apesar de você ser alguns anos mais velhos, parece que temos a mesma idade. Você é um pedaço de pecado, algo que nunca vou ter, mais sempre vou querer. Eu escrevo seu nome no meu caderno, a letra pequena, como quem querendo se esconder. Igual eu faço quando estou perto de você. Pareço uma ninja, e minha missão é não deixar você me ver.

  Perco festas pensando em você. Perco amizades pensando em você. Perco momentos pensando em você. Me perco pensando em você. E por quê isso parece tão errado para mim, e tão certo para você? Você adora me ver arrastando as malas, as gaiolas com meus pássaros e meus sentimentos para embarcar no seu trem de brincadeiras. E quando eu te entreguei meu coração, não era para você machucá-lo. Era para você cuidar dele.

  Agora, sentada aqui do lado dessa janela, acariciando aquela carta falsa que você me mandou, vendo as gotas da chuva molharem a janela (e vendo as gotas dos meus olhos molharem meu vestido) eu entendo o quê eu sempre signifiquei para você. Vários '.nada'. Você sempre foi o único, e eu, sempre fui mais uma. Mais uma que você beijou ao som daquela música que você dizia ser nossa. Mais uma que você segurou a mão enquanto passeavam pelo parque. Mais uma que você apresentou ao seus pais, dizendo ser seu novo amor. Mais uma na lista de convidados. Mais uma amiga no Facebook. Mais uma.

  E sabe, querido, cansei de ser mais uma. Para alguém, quero ser a única. A única que ele beijou ao som da nossa música. A única que ele segurou a mão enquanto passeava pelo parque. A única que ele apresentou para os pais. A única na lista de convidados. A única amiga no Facebook. A única.

  Ou talvez, não precise ser a única para alguém. Posso ser a única para mim. Ler sozinha ao som da nossa música, passear sozinha no parque. Por quê preciso de você, dele, dela, ou dos outros, para me sentir a única? Você era meu único porto seguro. E agora, meu porto seguro, sou eu mesma.

  
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