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23 de dezembro de 2015

Mentirosos - E. Lockhart





Nome: Mentirosos
Autora: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Páginas: 272







 Sinopse

 Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro “Mentirosos”) são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.


 Opinião

 Quando peguei Mentirosos, olhei a capa e li a sinopse, não me interessei muito pela história. Admito que só comprei por causa da indicação da Pam Gonçalves.

 E eu amei.

 Mentirosos é narrado em primeira pessoa, pela Candence. Ela é a neta mais velha dos Sinclair, uma família rica e tradicional dos Estados Unidos. Os Sinclair são finos, loiros, magros, discretos, e, além de tudo, extremamente tradicionais. Casam apenas com pessoas igualmente loiras e magras, e vivem nesse ciclo tradicional e enjoativo, mas que é confortável para eles.

 Todos os verões, a Candence vai com a mãe dela para uma ilha particular dos Sinclair, onde mora Harris, avô de Candence e o patriarca da família. Nessa ilha, também vão as duas outras filhas de Harris e seus filhos. Candence se junta com os primos, Johnny e Mirren, e com Gat (que é sobrinho do marido de uma das filhas de Harris), e formam os Mentirosos.

 Cada um dos Mentirosos tem uma personalidade. Candence é poética, romântica, impulsiva. Johnny é irônico, frio, e mesmo assim carinhoso. E Gat. ''Meu Gat.'', como dizia Candance. Gat era indiano, tinha uma pele morena e tinha conceitos diferentes dos Sinclair. Não acreditava em Deus. Não queria riqueza, queria conhecimento, Ele, sem nenhuma dúvida, era meu personagem preferido. Ele e Candence se amavam. Era perigoso. E, mesmo assim, Gat a colocava sempre em primeiro lugar.

 No Verão dos Quinze, que é como apelidaram o verão que eles passaram na ilha quando tinham 15 anos, Candence sofreu um acidente. Não se lembra como e nem por que. Não se lembra quem ajudou ela, quem a encontrou. Tinha enxaqueca, tomava remédios, e amnésia.

 Qualquer coisa que eu falar sobre a história a partir de agora será um spoiler imenso. Então, vamos pular para qual foi realmente minha opinião.

 Até mais ou menos a metade do livro, eu não estava entendendo nada. Sabia da trama principal, mas ainda não tinha me familiarizado com nenhum personagem e trocava o nome de todo mundo. Quando finalmente a E. Lockhart contou qual foi o acidente, as coisas começaram a acontecer rápido demais (e, ao mesmo tempo, lentas demais) e foi quando eu realmente disse ''esse livro é uma das coisas mais fantásticas que eu já li na minha vida,''

 Tudo vai se encaixando. As memórias da Candence, as lembranças, os segredos. Nós acompanhamos todo o desenrolar da história, não só torcendo para a principal, mas para os Mentirosos. A família Sinclair, apesar de ser vista como fina e rica, esconde muitos segredos. As tias brigam pela herança das casas da ilha. As titas bebem. Harris é racista e preconceituoso. Seu único amor de verdade são suas terras.

 É ridículo. É injusto. E por isso, os Mentirosos fazem o que fazem no livro. Eles estão cansados de viver em uma mentira.

 A narrativa é poética e inspiradora. Nos dá frases em cada parágrafo, por isso meu livro acabou inteiramente cheio de post-its. A história nos faz refletir, pelo modo de vida da sociedade, tão tradicional e enjoativo. Nos faz ter mais esperança ainda nos jovens, pois eles são a salvação desse mundo doente. 

 Mentirosos é um livro mágico, que eu recomendo para todos. Você vai terminar de ler ele com uma cabeça mais aberta para mudanças e diferenças. Ele é lento no começo, mas o final é de tirar o fôlego. Eu lhe dou as minhas mais orgulhosas e brilhantes 5 estrelas. <3

19 de agosto de 2015

Cartas de amor aos mortos - Ava Dellaira




  

  Nome: Cartas de amor aos mortos
  Autora: Ava Dellaira
  Páginas: 333
  Editora: Seguinte






  Sinopse

  Prestes a começar o ensino médio, Laurel decide mudar de escola para não ter que encarar as pessoas comentando sobre a morte de sua irmã mais velha, May. A rotina no novo colégio não está fácil, e, para completar, a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa a escrever em seu caderno várias mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop… sem nunca entregá-las à professora.
Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era - encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um - é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

  
  Opinião


 Queridos Kurt, Judy, Elizabeth, Amelia, River, Janis, Jim, Amy, Heath, Allan, E. E. e John, 

   
   Eu li todas as cartas que Laurel mandou para vocês. Me perdoem, mas a curiosidade sempre foi meu pior defeito. Mas há um lado bom nisso tudo! O quanto ''Cartas de amor aos mortos'' me ensinou. E é o quê eu vou contar para você hoje diante dessa humilde carta.

   No começo, eu não me interessei muito. A única coisa que me obrigou a ler foi a capa linda que eu havia visto. Mas então, quando comecei a ler, vi que eu estava enganada. Apesar da história não ser tão empolgante, ser quase igual aquelas clichês, Laurel tem um jeito diferente de narrar. Não, ela não narra. Ela recita uma poema. O modo de narrativa dela é cativante e emocionante, misturada como altos e baixos no drama. Laurel descreve exatamente o momento, e podemos imaginá-lo na cabeça e sentir todos os sentimentos da personagem. Essa é a magia do livro.

  Laurel é especial. Perder a irmã mais velha, seu único porto seguro para enfrentar a separação dos pais, o mundo e o ensino médio, deve ser bem difícil. Por isso, Laurel, palmas minhas, dos leitores do blog e de todos esses artistas a quem estou endereçando a carta. Você é realmente uma personagem memorável. Apesar de todos os seus momentos meio loucos, suas depressões repentinas, nós entendemos você.

  Natalie e Hannah, as minhas personagens preferidas da história, também foram um pedaço importante na vida de Laurel. Elas que mostraram a protagonista o mundo perigoso, o mundo diferente, o mundo louco e, principalmente, o mundo do amor. E não só do amor ''normal'', descrito pela sociedade preconceituosa, como o outro tipo de amor lindo, o homossexual. E a jornada de amor da Natalie e da Hannah também foi bem descrita pelos olhos de Laurel, como uma jornada diferente e que ela adorou participar. Natalie e Hannah, no final, não são nada mais nada menos, que duas garotas se aventurando no amor.

  Sky. O garoto que, por bastante tempo, roubou suspiros e borboletas na barriga da nossa protagonista. Em algumas partes, eu odiava o Sky, e em outras, eu o amava. Talvez por quê ele fosse confuso? Talvez. Mas, analisando bem a história, todos os outros personagens também não eram bem confusos? E não era apenas confusos pelo modo de ser não, mas também por causa de Laurel, que trouxe mais confusão para a vida dessas pessoas. Como dito anteriormente, ela era uma personagem jovem insegura com saudade do seu porto seguro. E as vezes fazia loucuras para tentar entender o lado da irmã mais velha falecida. E, no final, Sky ficava confuso. E os leitores também.

  No final, ''Carta de amor aos mortos'' é uma mistura de poesia e amor. Puro amor jovem, louco, confuso e irresponsável. Então eu pergunto á vocês, meus caros leitores mortos, não é essa a forma de amor que todos deveríamos ter? Jovem, louco, confuso e irresponsável? Tudo sobre medida e cautela, claro, mas um pouquinho de loucura é sempre bom. E no final, Ava Dellaira fecha toda a história com Laurel mais crescida. Antes, era apenas uma personagem fraca, mas ao longo do livros, vemos o crescimento dela ao longo que ela vai descobrindo coisas novas, pessoas novas, e também vai se dando conta de quê a irmã não era seu porto seguro. Ela mesmo era seu porto seguro.

1 de agosto de 2015

A seleção - Kiera Cass





  Nome: A seleção
  Autora: Kiera Cass
  Páginas: 357
  Editora: Seguinte
  Gênero: Distopia






  Sinopse

  Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de suas vidas. A oportunidade de escapar da vida estabelecida para elas desde o nascimento. Entrar em um mundo de vestido brilhantes e joias de valor inestimável. De viver em um palácio e competir pelo coração do lindo Príncipe Maxon. Mas para America Singer, ser Selecionada é um pesadelo. Isso significa virar as costas para seu amor secreto com Aspen, que é de uma casta menor que a dela. Deixar sua casa para entrar em uma competição acirrada por uma coroa que ela não quer. Viver em um palácio constantemente ameaçado por rebeldes violentos. Então, America conhece Príncipe Maxon. Gradualmente, ela começa a questionar todos os planos que fez para si mesma- e percebe que a vida que ela sempre sonhou não é nada comparada com o futuro que ela nunca imaginou

  Opinião

  A seleção é contado em primeiro pessoa por America Singer. Ela vive em um futuro alternativo em Illéa, pois os Estados Unidos ficou devendo tanto para a China que a China comprou os EUA e agora a nação se chama ''Estados Unidos da China''. Illéa é divido em oito castas (ou distritos, níveis, tanto faz) sendo a 1 a mais rica, da família real, e a 8 a mais pobre, onde moram os mendigos.

  Lá ocorre a Seleção, onde 35 garotas são sorteadas para irem até o palácio e competirem pelo coração do príncipe, e claro, a coroa. Mas calma, não é nada parecido com Jogos Vorazes não. Elas ficam lá, aprendendo como virar princesas e dando entrevistas para o Jornal Oficial de Illéa, e então o príncipe vai excluindo uma por uma até sobrar a única, o amor da sua vida.

  Como a Sinopse já diz, America é contra isso, não apenas por achar que é pura armação mas também tem seu namorado, seu único amor, Aspen. Ele é de uma casta inferior, e mesmo que não seja proibido o casamento entre castas diferentes, é uma burocracia enorme e ainda tem o fato de convencer os pais da menina, sendo que sua mãe é um ser muito difícil. Mas então, America vai para o palácio.

  A narrativa nesse primeiro livro retrata de uma menina com medo, ainda amando Aspen e desconfiadíssima de Maxon, com muitas inimigas no castelo e destemida em ficar ali apenas pela comida. Isso é muito legal quando se trata de livros onde o personagem passa por uma mudança drástica; sua transformação não só física, mas mental. Os conflitos na cabeça da protagonista não são constantes, mas estão lá.

  Os personagens. Os que mais temos acesso são, claro, America, Maxon e Aspen, mas também podemos acrescentar a família da protagonista (principalmente May, sua irmã mais nova) e Marlee, que vira sua melhor amiga no palácio. Também temos as três criadas, Lucy, Anne e Mary, que foi o que mais me surpreendeu. America trata-as tão bem, se preocupa tanto com o bem estar delas e com a segurança, que me lembrou até um pouco a Katniss.

  Mas é por aí que as semelhanças acabam. Se quiser ler ''A seleção'' em busca de uma distopia com ação, muita política envolvida e suspense, pode parar por aí. A seleção, apesar de ser uma distopia e retratar de um país autoritário onde o governo é rico e as castas são pobres, a política é quase inexistente no livro. Diferentemente de Jogos Vorazes, onde a política nos persegue durante o livro inteiro, em cada parágrafo, em cada frase, em cada personagem. Não estou tentando comparar se uma série é melhor ou não, apenas querendo dizer algumas semelhanças  e diferenças. O livro da Kiera Cass retrata mais um romance clichê, várias reviravoltas amorosas, e claro, como já citado, o emadurecimento da protagonista.


  ''Não queria ser da realeza. Não queria ser um. Não queria nem tentar.''

  
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  Beijos!

  Helena.


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